1. Jamais vá sozinho!!!
Inicio este post com uma afirmativa que deve ser seguida à risca: Jamais vá sozinho. Quantas vezes estou em casa, à toa, durante a semana e bate aquela vontade de pegar a Lander e ir pro meio do mato. Engulo a vontade e fico em casa, afinal, sozinho é muito perigoso.
Você vai para lugares onde não pega celular, lugares onde vai levar horar para passar socorro, e dependendo do lugar nunca vai passar.
2. Se você apenas imaginar que possa precisar de algo, leve com você
Em um trajeto off-road , você está deixando de lado a tecnologia de equipamentos como telefone celular. Muitas vezes, eles não têm sinal quando estão afastados da cidade. Então, nessa situação você vai estar por sua própria conta. Pedras e árvores, buracos e outros infortúnios pelo caminho podem danificar sua motocicleta e não terá ninguém para te ajudar a consertar. Esteja preparado com as ferramentas, peças e conhecimento para realizar reparos comuns, como a fixação de um pneu furado. Outra coisa básica, você sempre vai usar mais gasolina do que planejava, portanto, leve um pouco mais. E lembre-se, em tudo o que parece óbvio você deve pensar, afinal, deixar para contar com a sorte em uma situação difícil é encrenca na certa. Dificilmente você encontrará alguém parado na pista segurando um galão de gasolina.
Nesse item, discordo em partes. Afinal, para o Fora de Estrada optamos por motos leves ou aliviamos o peso da moto que dispomos. Então, para que carregar peso extra?
Claro, alguns itens são indispensáveis:
1. Manetes de freio e embreagem - caso sua moto não possua protetores de mão;
2. Câmaras de ar;
3. Bomba de ar;
4. Alicate;
5. Chave de Fenda;
6. Chave philips;
7. Jogo pequeno de soquetes de vários tamanhos.
8. Chaves gerais para sua moto - algumas motos necessitam de algumas chaves especias. Por exemplo, a Yamaha XT 660 R precisa de uma chave Torx e uma Allen 14 para retirar a roda da frente.
10. Abraçadeiras do tipo "enforca gato" - essas abraçadeiras possuem uso diversificado, são pequenas e leves, e podem te tirar de uma situação inusitada.
11. Fita Silver Tape.
Partindo do pressuposto que uma trip no fora de estrada é aconselhadíssimo que não se vá sozinho e, sabendo que alguns destes equipamentos são "universais", o peso pode ser dividido entre todos os participantes da trip.
3. Ajuste sua alavanca da embreagem para usar dois dedos
Uma das coisas a se trabalhar no ajuste da moto é o controle do acelerador e o funcionamento da embreagem. A ideia é que você possa trabalhar facilmente com a embreagem tanto em pé quanto sentado na moto, ajustando a alavanca para você operá-la quando o seu braço está em ângulo mais íngreme, usando apenas o dedo do meio e o indicador. Isso permite operar a embreagem sem alterar o seu equilíbrio, o que torna as suas respostas mais rápidas e suaves.
Neste ponto, você deve estar pensando em cortar as alavancas ou comprar algum modelo de manete mais curto, mas, isso não é necessário. Tanto a embreagem quanto o freio dianteiro se tornarão mais pesados para acionar o que irá desgastá-lo à toa. Acredite, no uso diário da motocicleta um manete mais curto pode não fazer diferença, mas no off road fará. Afinal, por diversas vezes tu terá que "queimar" embreagem e o uso dos freio será mais intenso. Faça como eu, apenas mude a posição do manete. É simples! Afrouxe os parafusos que prendem os manetes e desloque o manete mais ao centro do guidão.
Os dedos indicadores devem permanecer sobre os manetes para que as reações sejam muito mais rápidas, dessa forma você evita “alicatar” o freio ao se assustar, ou deixar a moto morrer porque não apertou a embreagem a tempo.
4. Em terrenos de pouca aderência
No off-road você fica estável quando impõe um pouco mais de velocidade. É a força giroscópica das rodas que irá mantê-lo na posição vertical, principalmente na areia profunda ou estradas de terra irregulares. Movendo o seu peso para trás acontece um efeito combinado de: a) adição de tração para a roda traseira, onde a força está sendo aplicada, e b ) tendo o peso da frente aliviado, isso permite que a moto possa desviar e andar sobre os obstáculos que vão surgindo pelo caminho.
Quando pilotar no meio do barro mantenha uma velocidade reduzida, mas o giro do motor bem alto, para que seu pneu se mantenha limpo e não fique preso nas canaletas. Em terrenos de areia mantenha a roda da frente leve, inclinando seu corpo um pouco para trás, o que dará mais tração para sua moto.
5. Fique de pé
Tudo começa com um bom posicionamento para evitar quedas e melhorar sua performance nas trilhas, tanto as de baixa como as de alta velocidade. Muitas vezes pode-se sair de situações difíceis usufruindo apenas de seu equilíbrio, ficando de pé na moto e controlando o peso do corpo para deixar a motocicleta mais estável.
Ao pilotar em trilhas, provas de enduro e cross-country a posição mais confortável para se estar na moto é em pé, com os joelhos levemente dobrados, as pernas segurando a moto, coluna levemente inclinada para frente e cotovelos dobrados, voltados para cima. Dessa maneira as imperfeições da trilha não incomodarão tanto na pilotagem. Por isso, não hesite em ficar de pé. Essa posição realmente diminui o seu centro de gravidade; o peso do corpo é redistribuído; e apertar o tanque com as pernas e os joelhos mais baixos, mantendo as pernas dobradas, transforma você em um grande amortecedor.
Em contrapartida, se você estiver sentado, qualquer obstáculo que desvie a trajetória da moto diminuirá seu equilíbrio. Digamos que se a moto balança tu balança junto. Isto não acontece quando se pilota em pé. No início é um pouco mais difícil, mas com o tempo nos acostumamos.
Sempre apoie seu peso nas pernas nunca nos braços. Quando estiver em uma subida ou em uma descida, mantenha seu corpo sempre na mesma posição de equilíbrio de quando se está no plano. Seu tronco e sua cintura deverão permanecer o mais ereto possível, a única parte do seu corpo que deverá ser inclinada é o tronco.
Caso não tenha confiança suficiente para pilotar em pé, erga-se um pouco do assento da moto, o suficiente para deslocar seu peso sobre as pedaleiras da moto. Isso auxilia na pilotagem e vai trazendo confiança para se erguer cada vez mais.
6. Ao fazer uma curva, empurre a moto para baixo
Quer fazer uma curva rápida para a direita? Empurre a moto para baixo e force a perna esquerda para dentro, deslocando o peso do seu corpo para o exterior. Isso vai ajudar na tração e, também, para manter seu peso distribuído uniformemente sobre o centro de massa da moto. Para a esquerda, faça o mesmo movimento para o outro lado.
Nas curvas, sente mais à frente quando possível. Totalmente o oposto de saltos, obstáculos ou areia profunda, a posição nas curvas é mais à frente da moto, para obter o máximo de seu peso corporal quanto possível sobre a roda dianteira.
Este movimento é contrário ao que você está acostumado a fazer na rua. Em off -road, o ângulo de inclinação é seu amigo e para fazer uma curva você deve empurrar a moto para baixo tanto quanto possível, mantendo o seu corpo na posição vertical sobre ela. Isso ajuda no trabalho dos gomos dos pneus de terra e permite que você controle facilmente os slides que fazem do off-road um negócio divertido, recheado de adrenalina.
Na foto acima, notem que o corpo do piloto não acompanha a "linha" da moto. O pé que está por fora da curva deve ser forçado contra a pedaleira, isso baixa o centro de gravidade e auxilia na tração da roda traseira. O pé de dentro da curva pode ser lançado à frente para evitar que a roda dianteira escape. Até pouco tempo atrás, eu acreditava que essa perna esticada servia para apoio do piloto caso a moto escorregasse. Isso até pode ser, dependendo do caso, mas a perna esticada serve, primeiramente, para evitar que a roda dianteira escape.
7 . Não use o freio dianteiro em curvas
Pilotar onde há pouca tração é totalmente diferente do andar onde há uma tonelada de grip. O freio dianteiro da moto, em estradas mais sujas, só deve ser usado em uma linha reta. Quando for fazer uma curva, o macete é diminuir a velocidade na hora, empurrar a moto para baixo e sair acelerando, usando o terreno desastrado como vantagem.
8. Nas descidas
Em descidas o peso da motocicleta recai sobre a roda dianteira. Para compensar, o piloto deve deslocar o corpo para a traseira da motocicleta, preferencialmente de pé sobre a pedaleira. O freio dianteiro pode ser usado nestas situações, desde que moderadamente. De qualquer forma, engrene uma marcha reduzida e dê preferência para o freio traseiro.
Se a descida for muito íngreme e/ou escorregadia, o macete é desligar a moto, deixar engatada a 1° ou 2° marcha, e descer controlando a roda traseira com a embreagem e a roda dianteira com o manete direito. Dessa forma, o piloto fica com as duas pernas livres para um eventual apoio. Lembre-se de desligar a moto na chave, pois uma batida no corta corrente pode ativá-lo e a moto poderá pegar no tranco.
9. Nas subidas
Nestas situações, a dianteira da moto tende a ficar mais leve, e com isso perde o contato com o solo com mais facilidade. Para evitar, deve-se, preferencialmente de pé, inclinar o corpo para a frente, buscando compensar o alívio de peso na roda dianteira.
Em subidas escorregadias, o ideal é ganhar velocidade antes da subida, pois a moto tende a perder tração. Se perder tração, o piloto pode sentar próximo à roda traseira. Contudo, deve estar atento para uma eventual "empinada" da roda dianteira, situação em que obriga o piloto a levantar e inclinar o corpo para a frente e/ou dar uma "queimada na embreagem".
Os manuais de pilotagem não citam a "queimada de embreagem" pois isso danifica a moto com o tempo, mas, na prática do off road isso é frequente e pode evitar uma queda.
Importante: Se a moto perder força na subida, não acione a embreagem. Deixe a moto apagar. Dessa forma o freio motor trava a roda traseira impedindo a moto de voltar morro abaixo. Desça da moto e vire o guidão para o seu lado, acionando a embreagem para liberar o freio motor. A motocicleta sob seu controle vai começar a andar pra trás. Quando estiver em posição segura, monte e desça o morro com cautela. Depois tente subir novamente
10. Fique atento ao caminho
Já pensou passar a toda a velocidade por sobre uma ponte quebrada? Ou dar de cara com um animal parado na estrada? É acidente na certa. Por isso fique de olho em tudo pelo caminho. Desconfie dos obstáculos e não tente adivinhar ou contar com a sorte na hora de cruzar por um local desconhecido.
11. Riachos
Riachos podem esconder várias surpresas como pedras e troncos. Portanto, antes de atravessá-lo é conveniente estudar o terreno a pé, para observar sua profundidade. Deve-se atentar a tudo: pedras, correnteza, profundidade, para que no momento da passagem com a moto não entre água pelo escapamento ou pelo filtro de ar. Água dentro do motor pode ocasionar sérios danos ao mesmo.
Ao atravessar prefira a posição em pé, desloque o peso para a traseira da motocicleta, com marcha reduzida engatada, e com aceleração constante.
Onde há correnteza, e a travessia é inevitável, deve-se descer da moto pelo lado oposto à correnteza a fim de que a correnteza empurre a moto contra o seu corpo, e cruzar ao lado da moto. Isso lhe dará maior apoio.
11. Riachos
Riachos podem esconder várias surpresas como pedras e troncos. Portanto, antes de atravessá-lo é conveniente estudar o terreno a pé, para observar sua profundidade. Deve-se atentar a tudo: pedras, correnteza, profundidade, para que no momento da passagem com a moto não entre água pelo escapamento ou pelo filtro de ar. Água dentro do motor pode ocasionar sérios danos ao mesmo.
Ao atravessar prefira a posição em pé, desloque o peso para a traseira da motocicleta, com marcha reduzida engatada, e com aceleração constante.
Onde há correnteza, e a travessia é inevitável, deve-se descer da moto pelo lado oposto à correnteza a fim de que a correnteza empurre a moto contra o seu corpo, e cruzar ao lado da moto. Isso lhe dará maior apoio.
12. Atoleiro
No caso de atolamento da motocicleta não adianta acelerar. Isso só fara com que a roda afunde mais. O ideal é deixar a moto funcionando em 1° marcha, descer pelo lado direito, a fim de controlar o acelerador com facilidade mantendo uma pequena aceleração, fazendo com que a roda patine, e faça força afundando e aliviando a roda traseira da moto. Assim, gradativamente você sairá do atoleiro.
No caso de atolamento da motocicleta não adianta acelerar. Isso só fara com que a roda afunde mais. O ideal é deixar a moto funcionando em 1° marcha, descer pelo lado direito, a fim de controlar o acelerador com facilidade mantendo uma pequena aceleração, fazendo com que a roda patine, e faça força afundando e aliviando a roda traseira da moto. Assim, gradativamente você sairá do atoleiro.
13. Trajetos em grupo
Ao andar em um grupo, se você estiver na frente liderando, é de sua responsabilidade ir avisando o piloto atrás de você dos obstáculos, bem como, se certificar de que outros pilotos não se percam ou se separem do grupo. Isso deve ser pensando de maneira organizada, de forma que um piloto vá passando a informação para o outro piloto imediatamente atrás, como naquela brincadeira infantil de “telefone sem fio”. Se todos seguirem esta regra, fica todo mundo avisado sobre poças de água, queda de alguém, cruzamentos ou algo desse tipo. Sobre a velocidade e recuperações de atraso durante a viagem, o piloto da frente não deve disparar, mantendo o grupo andando junto.
14. Motos off-road para iniciantes:
No nosso mercado temos algumas opções que considero aptas para o off road mais leve e, com algumas adaptações, prontas para encarar trilhas mais pesadas.
XR 250 Tornado
XTZ 250 Lander
XR 200
XTZ 125
Há também motocicletas específicas para o uso Off Road:
CRF 230
TTR 230
Em breve disponibilizo um tópico comparando as motocicletas citadas, buscando esclarecer prós e contras de cada modelo.
Busquei compartilhar neste tópico algumas informações sobre pilotagem no fora de estrada. Vale salientar que cada piloto tem seu jeito próprio de conduzir a moto e, a ideia aqui não é mudar o jeito de ninguém. Mas sim, de compartilhar um pouco da experiência teórica e prática que possuo.
Fontes:

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